A epilepsia é uma condição médica frequentemente mal compreendida que afeta cerca de 3 milhões de adultos e 470 mil crianças nos Estados Unidos. Isso equivale a aproximadamente 1,2% da população norte-americana. Estatísticos documentam casos ativos de epilepsia, mas não incluem aqueles que não foram diagnosticados por um médico ou que são autorrelatados/relatados pelos pais. Isso significa que algumas pessoas podem ter epilepsia e não saber. Alguns tipos de convulsões não se apresentam como a maioria das pessoas imagina, então alguns casos podem passar despercebidos.
A epilepsia pode afetar a leitura e a compreensão em algumas pessoas. O tipo de epilepsia costuma ser um fator importante para isso.
Antes de começar: o que é epilepsia?
A epilepsia é um distúrbio neurológico, o quarto mais comum do mundo. É caracterizada pela atividade convulsiva que pode causar uma ampla variedade de sintomas e manifestações. É causada por descargas elétricas no cérebro que desencadeiam crises recorrentes. A tendência para ter convulsões depende do limiar de cada pessoa para essa atividade, ou seja, da sensibilidade a estímulos que possam atuar como gatilhos.
A epilepsia causa convulsões não provocadas e recorrentes, mas também sensibilidades a gatilhos que podem levar a uma crise. O critério diagnóstico para convulsões muitas vezes depende de vários fatores:
- Duas convulsões ou uma única convulsão com alto risco de recorrência – todas não provocadas
- Vários episódios de atividade convulsiva em determinado período
- Atividade convulsiva combinada com fatores de risco aumentados, como lesão cerebral ou condições neurológicas
- Atividade convulsiva associada a fator genético, como histórico familiar
Embora os médicos conheçam os fatores que desencadeiam crises, muitas vezes a causa exata não é conhecida. Mesmo quando há trauma cerebral, as dinâmicas cerebrais precisas que levam a uma convulsão ainda estão sendo pesquisadas porque simplesmente não se sabe ao certo.
Existem muitos tipos diferentes de convulsões, mas geralmente se enquadram em uma das três categorias:
- Início Focal (com ou sem alteração de consciência) – Pode começar em uma área específica ou grupo de células do cérebro, mas em apenas um lado.
- Focal com Consciência Preservada – A pessoa permanece consciente e acordada durante a convulsão. Também chamada de crise parcial simples.
- Focal com Alteração de Consciência – A consciência da pessoa é alterada, ou ela fica confusa durante a crise. Também chamada de crise parcial complexa.
- Motores ou Não Motores
- Focal para bilateral tônico-clônica
- Início Generalizado (alteração de consciência) – Afeta ambos os lados do cérebro simultaneamente.
- Motoras
- Tônico-clônicas
- Outras motoras
- Não Motoras
- Ausência
- Início Desconhecido – Quando o início da crise não é conhecido ou não foi presenciado por ninguém, como quando a pessoa está sozinha ou durante o sono. Conforme a atividade convulsiva é estudada e o médico entende melhor o caso, pode ser diagnosticada posteriormente como generalizada ou focal.
- Motoras
- Tônico-clônicas
- Outras motoras
- Não Motoras
- Ausência
Os sintomas motores costumam envolver movimentos bruscos, flexão, espasmos musculares, rigidez muscular ou fraqueza muscular. Já os sintomas não motores geralmente envolvem episódios de olhar fixo, tiques, movimentos repetitivos e podem afetar apenas uma parte do corpo.
Problemas comuns de epilépticos na internet
Pessoas com epilepsia fotossensível, ou seja, aquela em que as crises são desencadeadas por padrões de alto contraste, luzes piscantes, estroboscópicas ou luzes que piscam, correm um risco maior. Elas podem ter convulsões também em outras situações, mas esses casos tendem a desencadear crises – principalmente tônico-clônicas.
Portanto, uma pessoa com epilepsia que acessa a internet precisa ter cuidado com o tipo de conteúdo a que tem acesso. Até mesmo assistir a vídeos em redes sociais pode levar a uma crise, caso encontre conteúdo propício a induzi-la.
Muitos navegadores estão tomando medidas para melhorar a acessibilidade para epilepsia e também educando criadores de conteúdo a serem mais conscientes ao produzir materiais. A acessibilidade digital tem sido uma prioridade constante, não só em navegadores, mecanismos de busca e tipos de conteúdo, mas também em empresas, organizações e até mesmo no governo. Existe um grande movimento para tornar a internet acessível para todos, independentemente de deficiência ou condição.
Soluções: dicas para ler com epilepsia
Há algumas coisas que pessoas com epilepsia podem fazer para ter uma experiência de leitura mais segura. O piscar na tela pode ser causado de três formas no computador: pelo display, pelo próprio computador ou pelo conteúdo. Se o problema for no display ou no computador, pode ser uma questão de hardware. No entanto, os usuários têm bastante controle sobre seus navegadores, hardware e sistemas operacionais.
Navegadores – Use um navegador moderno e mantenha-o sempre atualizado. O melhor navegador para epilepsia possui configurações que facilitam o ajuste das necessidades de cada pessoa com epilepsia, de acordo com sua experiência. Chrome e Mozilla são dois excelentes navegadores acessíveis, mas outros vêm se aprimorando rapidamente.
Personalização e configurações de acessibilidade
Essas configurações dão bastante controle sobre como o conteúdo é exibido. Nas configurações de acessibilidade, é possível solicitar a remoção de animações, normalmente em “reduzir movimento”. Desativar a reprodução automática também é importante, embora não funcione para GIFs, pois essa animação é autônoma. As configurações não a afetam.
Modo de leitura
Dependendo do navegador, pode ser necessário ajustar manualmente algumas dessas opções, mas procure por estes recursos:
- Bloqueadores de conteúdo ativados
- Leitura em voz alta (text-to-speech) ativada
- Personalização de fonte habilitada
- Zoom de página ativado
Desligue os GIFs
Nas configurações do navegador, desative GIFs animados. Existem também bloqueadores de GIFs disponíveis como extensões:
- GIF Scrubber
- GIF Blocker
- Beeline Reader
- Photosensitivity Pal – Esta extensão do Chrome bloqueia conteúdos com potencial de induzir crises epilépticas.
Sistemas operacionais
O Windows 10 oferece várias opções que melhoram e podem ser usadas para aprimorar a experiência de navegação. A maneira mais fácil de encontrar essas configurações é acessar o campo de busca do sistema operacional e digitar ou dizer “Acessibilidade”.
O World Wide Web Consortium (W3C) possui diretrizes para desenvolvedores nas Diretrizes de Acessibilidade para Conteúdo Web (WCAG), a fim de tornar o conteúdo acessível para pessoas com epilepsia. Algumas recomendações incluem:
- Nenhum conteúdo deve apresentar componente que pisque mais de três vezes em um intervalo de 1 segundo.
- Áreas piscantes devem ser pequenas, não ultrapassando 341 pixels por 256 pixels.
- Redução do contraste para qualquer conteúdo que pisque.
- Permitir que o usuário defina sua própria taxa de piscada personalizada.
Apps indispensáveis para quem tem epilepsia
Existem vários aplicativos disponíveis que podem ajudar pessoas com epilepsia a ter uma experiência online melhor e aprimorar a leitura. Estes são alguns dos melhores apps para crises epilépticas.
HealthUnlocked
Conecte-se com outras pessoas com epilepsia ou diversas outras condições de saúde. É uma boa forma de obter dicas, ideias, apoio e informações.
Seizure Tracker
Disponível para Android, iPhone e Alexa. Um recurso excelente que inclui aplicativos criados para ajudar a monitorar crises e muito mais. Atenção! Ao acessar o site, há um botão “Free! Sign Up” à esquerda, no terço superior da página, logo abaixo do gráfico. Ao rolar para essa seção da página, o botão é animado e balança rapidamente.
Seizure First Aid
Também disponível na Apple, este app oferece informações essenciais, incluindo primeiros socorros em caso de crise e ferramentas para medir e acompanhar as crises.
Speechify
Este aplicativo de leitura em voz alta (text-to-speech) possui diversos recursos excepcionais que facilitam a vida de pessoas com epilepsia ou distúrbios convulsivos para ler online:
- Ajuste de velocidade para ler mais rápido ou devagar — você escolhe
- Marcador de texto que pode ser ativado ou desativado se você quiser acompanhar a leitura.
- Rolagem automática para limitar a exposição à tela.
- Modo escuro
Viver com epilepsia pode exigir algumas adaptações, mas isso não impede ninguém de ter qualidade de vida. O Speechify pode ajudar. Visite nosso site, saiba mais e faça um teste grátis para ver a diferença que a leitura em voz alta (text-to-speech) pode fazer para você.
Perguntas frequentes
GIFs podem desencadear crises?
Alguns gifs realmente têm potencial para desencadear convulsões em pessoas com baixo limiar convulsivo ou em epilépticos. Conteúdos que piscam, brilham, são estroboscópicos ou que tremulam podem provocar epilepsia fotossensível. Qualquer tecnologia web que envolva movimento, como vídeos, JavaScript, PNGs animados, Canvas, GIFs animados, CSS ou SVGs animados pode induzir crises, enxaquecas e outras reações físicas, dependendo da sensibilidade do usuário e do conteúdo apresentado.
A epilepsia afeta a leitura?
Alguns tipos de epilepsia podem afetar padrões de linguagem, dificultando a leitura. Muitos tipos diferentes de epilepsia, especialmente a generalizada, afetam uma ampla variedade de funções neurológicas que envolvem linguagem, compreensão e, em alguns casos, a leitura.
Ler pode causar uma crise?
Existe um tipo de epilepsia chamada epilepsia de leitura. Normalmente começa na adolescência e é desencadeada pela leitura. No início, provoca crises mioclônicas, que são pequenos espasmos ao redor da boca e do maxilar. No entanto, se a pessoa continuar lendo durante as crises mioclônicas, existe o risco de evoluir para uma crise tônico-clônica.
Pessoas com epilepsia podem usar a internet?
Pessoas com epilepsia podem usar a internet, mas devem fazê-lo com cautela. Dispositivos com telas LED realmente piscam, embora isso possa ser imperceptível para a maioria das pessoas. No entanto, algumas telas produzem um piscar visível e até o “invisível” pode ser um gatilho para algumas pessoas. Além disso, diversas tecnologias web como vídeos, GIFs, JavaScript e muitos outros incluem conteúdo com flashes, efeitos estroboscópicos, tremores e piscadas, aumentando o potencial para crises fotossensíveis.

